A vida pós-Copom

Prevaleceu a expectativa da maior parte do mercado. A queda da taxa básica de juros de 4,5% para 4,25% ao ano foi acompanhada da mensagem inédita do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central:

“Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”. Ou seja, se não houver mudança radical no cenário de economia e inflação, a taxa não muda tão cedo. Para analistas, a Selic continua nesse patamar até o fim do ano e só volta a subir em 2021.

Para quem investe, significa que aplicações de renda fixa ficam ainda menos vantajosas. Se você quiser buscar um rendimento maior, terá que buscar outras alternativas. Para a economia brasileira, será o momento de esperar que o menor juro básico da história surta (ainda mais) os esperados efeitos de estímulo da demanda, ao crédito e aos investimentos das empresas, porque a Selic não será mais um instrumento disponível para ser manejado.

Sobre esse ponto, vale destacar que o BC falou em “aumento da potência da política monetária” decorrente de um sistema financeiro em transformação, com menor interferência do estado e maior concorrência privada. Traduzindo: a redução do juro pode surtir mais efeito do que o esperado, certamente mais do que no passado recente, e isso é algo a ser acompanhado para evitar que possa se tornar um risco para a inflação futura. Entenda mais sobre a decisão do Copom e o que acontece daqui em diante: http://bit.ly/2GUHnJI

Sem pânico, sem prejuízo

O aumento rápido do número de investidores pessoa física na Bolsa brasileira é notável: no fim do ano passado, havia quase 1,7 milhão de CPFs cadastrados para operar na B3, mais do que o dobro dos 813,2 mil ao final de 2018. Com isso, é possível dizer que há muitos novatos que estão se aventurando no mundo da renda variável.
 
Para esse novato, o ano de 2020 começou assustando. Ele está descobrindo, a duras penas, que acontecimentos sem relação direta com o mundo econômico podem derrubar o valor de mercado de empresas listadas em bolsas e, portanto, a sua rentabilidade. A crise de saúde pública derivada do coronavírus, originada na China, é um exemplo clássico: provocou uma tensão geral no mercado global e fez o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, cair 5% em apenas seis pregões.
 
Para deixar de ser vítima das possíveis perdas provocadas pela maior exposição ao risco, o pequeno investidor precisa se proteger dessas oscilações. Segundo especialistas ouvidos pelo 6 Minutos, a melhor forma de proteção é buscar um equilíbrio confortável para o seu perfil, que considere suas necessidades de liquidez, seu objetivo de rentabilidade e seu apetite a riscos. Para alguns, mais conservadores e dispostos a não correr quase nenhum risco, a dica pode ser até mesmo sacrificar uma rentabilidade maior e não investir em renda variável.
 
Outra boa dica para quem resolveu colocar dinheiro no mercado de ações é diversificar e diluir seu investimento entre diferentes empresas e setores. Se você está dando seus primeiros passos e não acredita que pode avaliar cada companhia para decidir suas compras e vendas, uma opção mais segura pode estar em fundos de ações com gestores profissionais, que colocarão a experiência deles a seu serviço. https://bit.ly/2GWQYj8

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O combustível do foguete que impulsionou os mercados em 2019 vai acabar. As taxas de juros nas economias desenvolvidas não vão continuar próximas de zero para sempre e, quando isso deixar de acontecer, a volatilidade voltará aos mercados. A previsão pode parecer alarmista para quem aguarda um novo ano de recordes nas bolsas, mas merece atenção pela reputação do mensageiro: o bilionário investidor americano Seth Klarman, que comanda um dos maiores fundos hedge do mundo, o Baupost Group, com cerca de US$ 30 bilhões em ativos sob gestão. Klarman fez o alerta em sua carta anual enviada a investidores de seus fundos no fim de janeiro. Desde então, a publicação se tornou tema de debates no mercado financeiro.
 
Uma das razões da carta é explicar o retorno abaixo de 10% do Baupost em 2019, o que Klarman disse que se deveu a uma combinação de fatores: posições conservadoras, ações de valor (value stocks em inglês) que continuaram a ter um desempenho abaixo do esperado, a falta de boas oportunidades e alguns erros cometidos na gestão do portfólio. “Algumas vezes, o mercado te conta uma história, mesmo que os negócios da companhia digam outra coisa. Esse é o caso de muitas ações de valor atualmente, cujas cotações sobem abaixo da média de mercado de forma significativa, mesmo que as empresas tenham um forte fluxo de caixa operacional”, afirmou o gestor. https://bit.ly/2unyshl

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Parcelar, parcelar, parcelar. Os juros baixos e o momento de maior confiança na economia vêm elevando o número de meses para pagamento de financiamentos no Brasil. No caso de aquisição de bens como eletrônicos e eletrodomésticos comprados no boleto, esse tempo é de 19 meses em média (era de 13 no final de 2017). Mas será que vale a pena dividir a perder de vista? Tudo depende de quanto dinheiro você tem disponível e das condições oferecidas pelo varejista.
 
Em primeiro lugar, é importante lembrar que o rendimento de investimentos em renda fixa caiu bastante nos últimos meses. Três anos e meio atrás, quando a taxa básica da economia, a Selic, estava acima de 14% ao ano, planejadores financeiros aconselhavam parcelar as compras e deixar recursos rendendo em fundos conservadores, que acompanham juros. Esse não é mais o caso hoje, com a taxa a 4,5% ao ano. “Se for possível barganhar um pagamento à vista com desconto, vale muito a pena”, afirma a planejadora financeira Malu Spricigo, da consultoria Par Mais. https://bit.ly/2SizQcT