Mais que palavras, dinheiro na mão

No front econômico da batalha do Brasil contra o coronavírus, a grande dificuldade é fazer com que os recursos em potencial das medidas governamentais se transformarem em dinheiro vivo nas mãos de quem movimenta a economia. 

Durante o fim de semana, alguns agentes do governo Bolsonaro usaram um vocabulário mais duro. Paulo Guedes, ministro da Economia, reconhece que o R$ 1,2 trilhão liberado pelo Banco Central para ajudar a economia brasileira a passar pela pandemia está “empoçado” no sistema financeiro. Ele sabe que seu principal desafio é levar todo o dinheiro previsto nas medidas de estímulo às duas pontas que realmente importam: empresas e famílias

Roberto Campos Neto, presidente do BC, foi ainda mais longe do que Guedes e afirmou que os bancos brasileiros estão “com medo” de repassar às empresas o crédito concedido pelas iniciativas do BC nesses tempos de crise. No entanto, Campos Neto garantiu que o BC vai fazer uma fiscalização “grande” sobre os recursos que liberou às instituições financeiras: “Temos que dar resposta sobre quanto entrou em cada setor. Queremos construir uma estatística que seja transparente sobre o que estamos fazendo”.

Sobre o crédito à pessoa física, Guedes se mostrou animado com alcance que ele terá. “Pode ser um mendigo. Nós vamos abrir conta digital e ele vai aprender o caminho. A gente ensina como tirar o dinheiro”, disse o ministro. “Mesmo o mais simples brasileiro pode ser ajudado. Não vamos deixar ninguém para trás do ponto de vista de acesso à renda básica, durante esse período”.

No discurso, quem comanda a política econômica deu mostras inequívocas de que o dinheiro precisa chegar. Mas eles podem e devem fazer mais. Nesta segunda-feira, começa mais uma semana sob o jugo da pandemia. Mais uma chance para que finalmente essa urgência nas manifestações se transforme em dinheiro para quem está vulnerável: do informal que se vê sem renda ao empresário que luta para manter os empregos que fornece.
Empresas de vários setores já sentem a deterioração das linhas de crédito, com alta de juros, reduções de prazos e limites de empréstimos no mercado em razão dos impactos da crise do coronavírus sobre a economia brasileira. 

“O mercado subiu bastante o preço, e alguns bancos pararam de liberar caixa”, afirmou Peter Furukawa, presidente da Quero Quero, maior varejista do Rio Grande do Sul. O executivo mencionou que antes da crise era possível captar recursos a uma taxa de CDI + 0,9% ao ano, enquanto, hoje, essas mesmas linhas subiram para CDI + 3,5% ao ano.

Diogo Bassi, diretor financeiro da Petz, que atua no setor de produtos e cuidados para animais de estimação, conta que até o início do ano, era fácil obter financiamento com carência para início da amortização, mas esse prazo foi reduzido com a pandemia. “Nós já tínhamos o caixa alto, mas buscamos aumentar. E isso está ligado também aos fornecedores”, explicou Bassi, referindo-se à necessidade de dar prioridade a pagamentos a parceiros comerciais de pequeno e médio portes, que têm menos fôlego financeiro. https://bit.ly/3aN7IXr
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A paralisação de atividades de serviços por conta do coronavírus atingiu também o ensino superior. Faculdades e universidades tiveram que fechar as portas para os alunos de graduação, mas, diferentemente de segmentos que agora lutam pela sobrevivência, algumas instituições conseguiram não só evitar demissões como mantiveram as atividades. A explicação passa pela decisão do MEC (Ministério da Educação) de autorizar, em caráter excepcional e provisório, por causa da pandemia, que aulas presenciais fossem substituídas por conteúdo à distância. Com esse aval, instituições que já faziam uso recorrente de plataformas virtuais para transmitir conteúdo aos alunos dentro dos limites então vigentes puderam ampliar a participação desse modelo de ensino.

Esse o caso da Kroton, a divisão de ensino superior da Cogna, o maior grupo de educação no país — são 822 mil alunos em cursos presenciais e à distância de graduação. A Kroton suspendeu as aulas presenciais para cerca de 330 mil estudantes em todo o país — são quase 176 unidades próprias — há duas semanas, no último dia 16. Mas decidiu manter as atividades. “Estamos a todo vapor, professores, tutores, diretores. A diferença é que todo mundo trabalha agora de maneira remota, de casa”, disse ao 6 MinutosMarcos Lemos, vice-presidente acadêmico da Kroton. https://bit.ly/2JJnZRg
O coronavírus obrigou várias empresas a liberar o sistema de home office para a maior parte de seus funcionários da noite para o dia. Só que nada foi planejado: colaboradores foram avisados de que começariam a trabalhar de casa dali a alguns dias em uma tentativa de conter a pandemia. O 6 Minutos falou com Ignacio García, antropólogo digital e CEO da Tree Intelligence, sobre o que ele chama de “o maior experimento de trabalho remoto não planejado e forçado já colocado em ação”. Para Garcia, há algumas questões e lições que esse momento excepcional pode nos ajudar a aprender.

– Será que todos nós precisamos trabalhar presencialmente em todos os momentos?

– Como dividimos o tempo do trabalho e o tempo do ócio quando não há mais “fronteiras físicas” que os separem?

– Se não é preciso estar fisicamente no mesmo ambiente para produzir, a expressão corporal fará falta?

– Com mais tempo e repetição da rotina fora do escritório, será possível saber quais funções funcionam bem no trabalho remoto. https://bit.ly/34dJwuK
Em meio à crise do coronavírus, parte dos investidores que deram um passo à frente e colocaram dinheiro em fundos de investimento multimercado para fugir da baixa rentabilidade da renda fixa estão recuando da decisão. Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que essa categoria de fundos, que investem parte dos seus recursos em renda fixa, parte em ações, registrou saída de R$ 5,5 bilhões em março. Desde novembro do ano passado a captação desses fundos não ficava negativa. 

Apesar da redução em relação a meses anteriores, a captação desse tipo de fundo continua positiva. Em março, os aportes superaram os resgates em R$ 7,6 bilhões, o menor valor desde julho do ano passado, mas ainda no azul. “Tem gente que vê a situação atual como uma crise, tem gente que vê oportunidade. Alguns investidores estão apostando em um mercado em recuperação lá na frente”, avalia Vinicius Soares, diretor de produto da gestora de investimentos digitais Monetus. “Os fundos que investem em crédito privado tombaram com força em março por causa da crise” https://bit.ly/3dX0NwT
A pandemia de coronavírus está obrigado empresas a se reinventarem para continuar existindo. É uma questão de sobrevivência: quem não se adaptar a um mundo de portas fechadas corre o risco de quebrar. Para não entrar nessa estatística, a Ri Happy, maior rede varejista de brinquedos do país, decidiu convocar seu exército de funcionários para se tornarem revendedores da marca.

Podem se candidatar ao posto qualquer um dos 4.000 colaboradores de todas as áreas, desde a loja, sede, SAC, centro de distribuição e até mesmo da diretoria. Na visão da empresa, é um movimento que traz ganhos para as duas pontas: o colaborador vai receber uma comissão por cada venda realizada e a empresa tem a chance de garantir alguma receita em um momento difícil, em que sofreu com o fechamento das 280 lojas físicas em meados de março. https://bit.ly/34aMDDZ
O coronavírus provocou um efeito colateral para quem se viu obrigado a cozinhar: os preços dispararam na mesma velocidade com que as pessoas correram aos supermercados para estocar produtos. Para driblar mais essa dificuldade, o 6 Minutos conversou com Michelle Bedolini, especialista em nutrição do Sesi-SP, para saber como aproveitar o você já tem em casa e fazer comida gostosa e saudável sem sair no prejuízo. Confira algumas das dicas:
– O que você quer está muito caro ou sumiu das gôndolas? Faça substituições.
– Compre as frutas e legumes da estação.
– Organize o cardápio pensando na semana toda para otimizar as compras.
– Evite o desperdício aproveitando partes geralmente descartadas, como talos e folhas do brócolis, couve flor e beterraba, para incrementar o arroz do dia a dia. https://bit.ly/39RAjtD

Quer cortar quanto do seu salário?

Ninguém que ter seu salário reduzido. Mas o plano emergencial do governo para preservar empregos durante a pandemia do coronavírus prevê justamente isso: a possibilidade de as empresas reduzirem salários de seus funcionários em 25%, 50% ou 70%. Nesse caso, a jornada de trabalho será reduzida na mesma proporção. A compensação de salários será parcial: 25%, 50% ou 70% do seguro-desemprego. Só que como o valor máximo do seguro-desemprego é de R$ 1.813, os salários maiores serão os mais afetados.

A pedido do 6 Minutos, Clemente Ganz Lucio, técnico do Dieese, simulou como será a mordida no contracheque do trabalhador: nos exemplos analisados, levando em conta uma redução de 25%, a perda final varia de 6,5% (salário de R$ 2.000) a 20% (renda de R$ 10.000).

As más notícias não se restringem à redução de salários. A medida provisória do governo também permitirá a suspensão dos contratos de trabalho por até dois meses. Nesse caso, os salários são suspensos e o trabalhador recebe uma compensação de até 100% do seguro desemprego. Novamente haverá perda de renda, já que o seguro-desemprego está limitado a R$ 1.813.

Sindicalistas e especialistas conseguiram enxergar algum ganho na MP em relação à versão apresentada na semana passada e revogada poucas horas depois. É que as reduções e suspensões só poderão ser negociadas individualmente com trabalhadores que ganham até três salários mínimos (R$ 3.117) ou mais de dois tetos do INSS (R$ 12.202). Para todos os outros casos precisará haver negociação coletiva com o sindicato. “A esperança é que o acordo coletivo consiga melhorar o percentual de reposição salarial”, diz Lúcio.

A justificativa do governo é que essas medidas fazem parte de um plano para salvar 8,5 milhões de empregos que podem ser eliminados se nada for feito para reduzir o custo da folha de pagamento das empresas prejudicadas pelas medidas de contenção da pandemia. Quer saber mais? Leia aqui: https://bit.ly/343cb5F
 
Um pingo de alívio pelo menos para quem não começou a preencher a declaração do Imposto de Renda. O governo adiou de 30 de abril para 30 de junho o prazo final para entrega da declaração. A mudança no cronograma não acontecia desde 1996. A Receita Federal entendeu que apesar do ritmo de entrega estar dentro da média histórica, os contribuintes têm enfrentado dificuldades para reunir documentos ou buscar ajuda especializada durante o confinamento.
 
A Receita anunciou ainda mais duas medidas tributárias: a desoneração do IOF sobre operações de crédito e o adiamento do recolhimento do PIS/Cofins e da contribuição patronal para a Previdência. A desoneração será válida por 90 dias e tem o objetivo de reduzir o custo das operações de crédito. Já o diferimento do recolhimento do PIS/Pasep e contribuição patronal tem o objetivo de trazer um pouco de alívio ao caixa das empresas. Saiba mais sobre essas medidas: https://bit.ly/2USHsnU
 
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Após pressão da sociedade, o presidente Jair Bolsonaro finalmente sancionou o projeto de lei que garante uma ajuda de R$ 600 para trabalhadores informais e R$ 1.200 para mães responsáveis pelo sustento das suas famílias. Houve três vetos, ainda não revelados.

Já o Senado ampliou o alcance da ajuda emergencial, estendendo o pagamento  do coronavoucher de R$ 600 a homens chefes de família e mães adolescentes. Saiba mais: https://bit.ly/2JvpRgt
 
Não basta a dificuldade para encontrar o produto no supermercado. Agora, os consumidores estão pagando muito mais caro por produtos básicos, como o leite longa vida. Uma caixa de 1 litro, que antes saía por R$ 2,79, agora é vendida por R$ 3,79. O aumento de R$ 1 pode parecer pouco, mas representa um avanço de 35% em curtíssimo espaço de tempo. É muita coisa, ainda mais se levar em conta que as famílias consomem muitos litros de leite por mês.

6 Minutos conversou com especialistas para entender o que está acontecendo. Os supermercados culpam a indústria e fizeram uma denúncia à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) por prática de preços abusivos. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP diz que o leite já sai mais caro do campo para a indústria de laticínios, pois a produção está estável apesar da demanda crescente. Quer entender o que mais pesa nessa conta? Saiba aqui: https://bit.ly/2xC0Du9
 
Alguém aí falou em Páscoa? Pois é, parece que a data está distante, mas não é bem assim: faltam apenas 10 dias para a celebração. Por conta da pandemia de coronavírus, as vendas de ovos de Páscoa encalharam nos supermercados e lojas especializadas, essas últimas agora fechadas. A explicação é que esse é o tipo de compra que acontece por impulso, ou seja, quando a pessoa vai ao supermercado ou passa em frente a uma loja. Mas em tempos de pandemia os consumidores estão mais preocupados em abastecer a dispensa de comida e produtos de higiene e limpeza.

Para driblar esse cenário, as marcas de chocolate estão investindo na venda online e entrega de ovos na casa do consumidor. Algumas, como a Kopenhagen, Brasil Cacau e Lindt, colocaram seus produtos em marketplaces. Também há campanhas nas redes sociais para esticar a Páscoa até junho. Quer saber mais sobre expectativa para a Páscoa? Leia aqui: https://bit.ly/2JtWTO0
 
É normal que a rotina de isolamento social traga à tona o pior e o melhor das pessoas. A recomendação dos especialistas para lidar com o estresse do confinamento é buscar um meio-termo equilibrado entre opostos – não ser tanto hiena Hardy (aquela do “Ó, céus, ó, vida, ó azar!”) nem a Pollyanna, que sempre vê o lado bom dos acontecimentos, mesmo os trágicos.

O psiquiatra e professor Roberto Aymler diz que estamos nos encaminhando para a terceira fase do confinamento – a mais perigosa para os relacionamentos. Depois do pânico inicial e da fase de esperança, agora as famílias começarão a sentir mais intensamente as dificuldades do convívio forçado. “É provável que muitos casamentos acabem nesse período, mas eu recomendaria que isso não fosse feito em um momento de crise.”

A School of Life Brasil fez uma lista de recomendações para lidar com a montanha-russa emocional, como escrever seus pensamentos. Veja outras dicas: https://bit.ly/2Jy9v6Q

A pressa de quem espera

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu o sinal: para ele, o ritmo do governo para viabilizar o auxílio financeiro temporário de R$ 600 por 3 meses aos trabalhadores informais “não parece tão emergencial”. O mecanismo de transferência de dinheiro do governo para aqueles que estão mais vulneráveis em razão da pandemia do coronavírus foi aprovado com rapidez no Congresso Nacional — passou pela Câmara na última sexta e recebeu a chancela do Senado na segunda.

O presidente Jair Bolsonaro, que se diz tão preocupado com as consequências econômicas quanto com as de saúde pública, teve a terça inteira para tomar inciativas práticas para fazer a medida andar, já que o projeto de lei precisa ser sancionado por ele. Em seguida, é necessário que seja editado um decreto com a regulamentação. Por fim, ainda vai faltar uma medida provisória para que sejam liberados os recursos do pagamento no Orçamento. No entanto, Bolsonaro não fez o processo andar.

Para efeito de comparação, o superpacote de estímulo do governo dos Estados Unidos para enfrentar o covid-19, que prevê mais de US$ 2 trilhões para ajudar a economia e teve uma tramitação um pouco mais demorada e espinhosa pelas casas legislativas americanas, foi sancionado por Donald Trump horas após ter sido aprovada na Câmara dos Representantes.

No pronunciamento em rede nacional de ontem à noite, Bolsonaro fez menção direta ao auxílio emergencial quando elencou todas as medidas que seu governo já havia tomado para enfrentar a pandemia. O que ele não deixou claro em seu discurso é que ele não fez o que tinha ao seu alcance para transformar a ideia em realidade para quem mais precisa.

Em tempo: o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou claro, ao responder a Maia sobre a lentidão do Executivo para colocar em prática a ajuda emergencial, que há uma disputa política ainda em curso: “Se Maia aprovar em 24 horas uma PEC de emergência, o dinheiro sai em 24 horas”. A medida citada pelo ministro é a PEC do Orçamento de Guerra, que vai liberar o governo de seguir algumas regras fiscais nos gastos extraordinários devido à pandemia do novo coronavírus. Logo após a mordida, ele assoprou: “A hora é de união, juntos somos mais fortes. Tenho certeza que o presidente Maia quer nos ajudar a aprovar isso”, afirmou Guedes.

Qual será o próximo passo nessa queda-de-braço? Aqueles que esperam qualquer ajuda do governo para ter algum dinheiro em meio à crise aguardam ansiosos.
Uma semana após um pronunciamento em que pediu explicitamente o fim de medidas de isolamento mais duras e defendeu a retomada total da atividade econômica, o presidente Jair Bolsonaro usou novamente uma cadeia nacional de rádio e TV para falar do coronavírus. Desta vez, o tom foi mais responsável ao tratar dos desafios humanos da crise sanitária e de saúde pública, mas sem perder a ênfase dada às consequências da pandemia no mercado de trabalho e na situação econômica do Brasil.

Tentando mostrar alinhamento com a OMS (Organização Mundial da Saúde), Bolsonaro usou parte de uma declaração do diretor-geral da entidade, Tedros Ghebreyesus: “Como disse o diretor-geral da OMS: todo indivíduo importa. Ao mesmo tempo, devemos evitar a destruição de empregos, que já vem trazendo muito sofrimento para os trabalhadores brasileiros”. No entanto, o presidente não fez referência à defesa do isolamento horizontal que Ghebreyesus realizou na mesma ocasião. Pela 1ª vez, o presidente admitiu que não existe vacina ou remédio com eficácia comprovada contra a doença: “O vírus é uma realidade, ainda não existe vacina contra ele ou remédio com a eficiência cientificamente comprovada. Apesar da hidroxicloroquina parecer bastante eficaz. O coronavírus veio e, um dia, irá embora. Infelizmente, teremos perdas pelo caminho”. https://bit.ly/2R1feq1
O 31 de março marcou o fim do mês e também do primeiro trimestre de 2020. Essa fotografia do primeiro quarto do ano já mostra o tamanho do estrago que a pandemia do coronavírus provoca na economia: aqui no Brasil, todas as 73 ações listadas no Ibovespa, o índice de referência da B3, sofreram perdas nos três primeiros meses do mês. Entre janeiro e março, a Bolsa recuou 36,8%, na maior perda para o período desde pelo menos 1994. https://bit.ly/2URd6Cb

Os problemas estão longe de ser exclusividade da realidade brasileira. Nos EUA, um dos principais índices de ações americanos, o Dow Jones fechou o pregão ontem com queda de 1,83%. O resultado levou o índice a acumular uma retração de 23,2% no primeiro trimestre. Foi o pior desempenho trimestral desde os três meses finais de 1987 e o pior início de ano de seus 124 anos de história. O índice S&P 500, o mais abrangente de todos, caiu 1,60% na terça e fechou os 3 primeiros meses com queda acumulada de 20%, o pior período de 90 dias desde o 4º trimestre de 2008, no auge da crise financeira global. https://bit.ly/2R27bJs
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A pancada do coronavírus não é sentida apenas no mercado acionário. Na economia real, os estragos também são bem palpáveis. O preço médio dos alimentos da cesta básica do brasileiro já sofreu o efeito imposto pela pandemia. É o que mostra um levantamento da FGV (Fundação Getulio Vargas).

A alta chegou a 1,64% no último dia 26 na comparação com os 30 dias anteriores. “Com as famílias mais tempo em casa, houve aumento da busca por alimentos nos mercados”, afirmou a FGV em nota. Os maiores aumentos foram do ovo (+9,04%), feijão preto (+2,24%) e arroz (+1,74%). https://bit.ly/2wRHF2D
Na cidade de São Paulo, desde o dia 20 de março, quando o comércio fechou e a maior parte das pessoas aderiu ao confinamento na tentativa de bloquear a pandemia de coronavírus, o que mais se vê são motoboys e ciclistas de aplicativo andando para cima e para baixo, entregando desde comida de restaurante a compras de supermercado e medicamentos.  

Um abaixo-assinado já reuniu em 4 dias 43 mil pessoas que pedem que os aplicativos (iFood, Uber Eats, 99Food, Rappi, Loggi, entre outros) distribuam alimentação e álcool em gel para os entregadores. Com a pressão, as empresas afirmaram ao 6 Minutos que, desde o último fim de semana, estão distribuindo álcool em gel e divulgaram a criação de fundos de ajuda aos entregadores. https://bit.ly/2R2RZM3
A paralisação quase completa das viagens pelas companhias aéreas – as três grandes do setor no Brasil, Gol, Latam e Azul, reduziram os voos em mais de 90% por causa do coronavírus – fará com que as trocas por produtos passem a representar, durante alguns meses, entre 70% a 80% do resgate de milhas. 

A avaliação é de Bruno Nissental, sócio do Oktoplus, aplicativo que permite comparar o valor de pontos de programas de fidelidade. “Nossos parceiros apontam que houve aumento do resgate de produtos como vinhos, jogos para crianças, equipamentos de ginástica, caixas de som e umidificadores de ar. Ou seja, aquilo que torna o ambiente de casa mais agradável e a quarentena menos estressante”, afirma. https://bit.ly/2Jvxbso
Se tudo o que está acontecendo em decorrência da pandemia do coronavírus já é difícil de processar para os adultos, imagina para as crianças. De repente os pequenos, cheios de energia para gastar, se viram obrigados a ficar dentro de casa, longe da escola e do convívio social com os amigos.

E como explicar para os pequenos que temos um inimigo invisível e que apesar de estar em casa os pais estão trabalhando? A conversa deve ser aberta e tranquila, explicando à criança, em linguagem adequada para a idade. Os pais devem construir um discurso que não deixe a criança com medo ou com raiva, mas as ajude a entender o que é o bem coletivo e a aprimorar o senso de coragem para enfrentar as dificuldades da vida. https://bit.ly/2xJqH6v

Agora tem que entregar

O Congresso aprovou com rara agilidade o projeto de lei que prevê o pagamento emergencial de R$ 600 por mês a trabalhadores informais de baixa renda, como autônomos. A votação no Senado na segunda-feira mostra a gravidade da situação em um país que, antes da crise causada pelo coronavírus chegar, já tinha 12 milhões de desempregados e outros 43 milhões na informalidade ou trabalhando por conta própria. Falta agora a sanção do presidente e a regulamentação para que a lei entre em vigor. E aí vem a parte mais difícil: fazer o dinheiro chegar a quem precisa em um país conhecido pela burocracia. O governo disse que vai usar os bancos estatais para entregar os recursos. Saiba quem terá direito ao benefício: https://bit.ly/2UOL1vm
Enquanto senadores faziam a votação remota em caráter de urgência, o país testemunhava novos capítulos da falta de uma estratégia coordenada de combate ao coronavírus. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deu entrevista em que reiterou as recomendações de isolamento social como forma de conter a propagação do vírus, enquanto o presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar medidas para a economia e o emprego em pé de igualdade com o combate à pandemia. Leia mais: https://bit.ly/39wy1jl
A demora do governo em tomar ações diante da crise e a estratégia errática de combate à doença vão cobrar o seu preço no momento em que o país buscar a retomada. “Todos esses erros nos empurram para um custo econômico grande, sem falar no custo de vidas. Quanto maiores forem os erros na travessia, mais difícil será o pós-crise”, afirma Zeina Latif, doutora em economia pela USP e ex-economista-chefe da XP Investimentos. Ela explica por que não se deve esperar uma retomada em forma de “V” quando a crise do coronavírus passar, ou seja, com crescimento acelerado. “Não é como se estivéssemos tirando a economia da tomada para ligá-la de volta”, afirma. Leia a sua entrevista ao 6 Minutoshttps://bit.ly/2QS6FxB
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Neste ano, o dólar se valorizou 30% em relação ao real. A aversão do investidor ao risco e o menor patamar da história para a taxa básica de juros, a Selic, que reduziu a atratividade de aplicações de renda fixa, são causas apontadas com frequência por analistas para a queda da moeda brasileira. Mas são fatores que contam só uma parte da história. O principal responsável pela depreciação do real desde o início do ano foi a queda nas cotações das commodities, que são as matérias-primas que o país exporta, como o petróleo. A mudança de preços respondeu por mais de 70% da desvalorização da moeda brasileira, aponta um estudo da MCM Consultores. Saiba mais e como isso impacta as perspectivas para o câmbio: https://bit.ly/2xyS4Ag
A adoção do home office e o fechamento de restaurantes e lanchonetes em muitas cidades levaram milhares de brasileiros a repensar a sua relação com a cozinha e os alimentos – afinal, não dá para viver só de delivery. Isso significa saber escolher ingredientes no supermercado e buscar os melhores preços, experimentar e aprender receitas para variar o cardápio e preparar refeições saudáveis. O 6 Minutos conversou com especialistas e te passa dicas para que você saia da crise melhor do que entrou: https://bit.ly/2UuBJ8L
Em muitas cidades, bares e restaurantes estão autorizados a funcionar apenas para entregas. Uma salvação em meio à crise, certo? Não é bem assim. Montar um serviço de delivery é caro e muitas vezes não paga a conta de quem tinha uma estrutura de atendimento presencial. A Abrasel, associação de bares e restaurantes, estima que se a quarentena durar até o dia 7 de abril na maioria das capitais, 300 mil pessoas vão perder o emprego no setor. Seria o equivalente a 10% das vagas. E isso em um cenário avaliado como otimista, porque o fechamento do comércio pode se estender por mais tempo. Entenda por que o setor é um dos mais vulneráveis: https://bit.ly/2JnPPCD
Mas não são apenas as pequenas empresas que estão em risco. Metade das companhias que estão na B3, a bolsa brasileira, teria dinheiro em caixa para sobreviver por 3 meses se o faturamento zerasse. É o que revela um estudo feito pelo Cemec-Fipe com a consultoria Economática, que avaliou o caixa e as aplicações financeiras de 245 empresas e as despesas com o pagamento de salários e fornecedores, além de outros gastos operacionais. Um quarto da amostra ficaria com caixa negativo já ao fim do primeiro mês. Saiba mais sobre o estudo e as perspectivas das maiores empresas: https://bit.ly/2JneVl5
Fique de olho
Às 8h, a FGV divulga o Índice de Confiança Empresarial e o Indicador de Incerteza da Economia, ambos de março.
 
Às 9h, o IBGE divulga a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) de fevereiro, com a taxa de desemprego do país.
 
Às 9h30, o Banco Central divulga os resultados fiscais do setor público em fevereiro.
After market
EM TODAS AS TELAS: Estreia nesta sexta (dia 3) na Netflix a quarta temporada de “La Casa de Papel”. Para evitar spoiler e não estragar a surpresa, dá para contar que as qualidades (para os fãs) que fizeram a série espanhola se tornar uma campeã de audiência estão novamente presentes: muito caos, reviravoltas e humor ácido no diálogo entre os protagonistas. Em meio à tentativa de roubo ao Banco da Espanha, o cerco se fecha contra o Professor, enquanto um inimigo inesperado emerge para a quadrilha. Assista ao trailer: https://bit.ly/2X2oM7E
 *PARA OUVIR: Michael Stipe, ex-vocalista da banda R.E.M., divulgou no sábado (dia 28) no YouTube a música “No Time For Love Like Now”. É uma versão demo que ele produziu com Aaron Dessner, da banda The National. Stipe, que completou 60 anos em janeiro, tem marcado presença nas redes sociais nestes tempos de quarentena. Ele já havia publicado um vídeo em que canta uma das músicas mais famosas do R.E.M., “It’s The End of The World As We Know It (And I Feel Fine)”, e aproveita para passar recomendações de prevenção ao coronavírus, entre elas para que as pessoas fiquem em casa. Veja a nova música: https://bit.ly/2UuAMxd

Quem dá mais?

De R$ 200 para R$ 600. O valor aprovado por deputados federais na noite de ontem para o pagamento mensal a trabalhadores informais em razão da pandemia do coronavírus foi exatamente o triplo do sugerido inicialmente pelo governo, há uma semana.

A despeito das falas do presidente Jair Bolsonaro minimizando a gravidade da infecção –a última frase de efeito foi que o brasileiro pode mergulhar no esgoto que “não pega nada”–, o fato é que o chefe do Executivo está preocupado, se não com a saúde pública, com sua popularidade.

Uma espécie de leilão ocorrido nesta quinta-feira ilustrou isso. Durante a tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, havia defendido um valor de R$ 500 para o “coronavoucher”, como a ajuda está sendo chamada. No começo da noite, Bolsonaro não deixou por menos e afirmou que autorizou a aprovação de um montante maior, de R$ 600.

Leia mais aqui: https://bit.ly/33SVAS3
 
O texto, que prevê que a assistência seja recebida por no máximo duas pessoas da mesma família, segue agora para o Senado. A dúvida que fica é a celeridade com que o benefício será recebido pelos autônomos: até agora, de cada R$ 100 anunciados pelo governo para o enfrentamento da pandemia, R$ 64 não saíram do papel: https://bit.ly/2xu8n14
 
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O sigilo médico deveria valer para Bolsonaro, em um momento em que a pandemia de coronavírus se espalha pelo Brasil e em que há suspeitas sérias de que o presidente da República tenha contraído (e possivelmente passado para a frente) a infecção?

A resposta, na avaliação de juristas consultados pelo 6 Minutos, é que não. Isso porque o artigo 37 da Constituição prevê que a administração pública deve obedecer aos princípios da publicidade (ou seja, transparência).

Em outras palavras, a população tem direito a saber o estado de saúde do ocupante do cargo máximo do país, em especial quando o que está em jogo é uma doença extremamente contagiosa: https://bit.ly/3bsIqOf
 
A bolsa pode ter subido ontem pelo terceiro dia consecutivo a reboque dos mercados externos, mas a verdade é que a economia da vida real já dá sinais de agonia como resultado da quarentena necessária ao combate da infecção.

Prova disso é que o faturamento das compras com cartão de débito no comércio de vestuário já registra queda de mais de 90%. No caso de bares e restaurantes, o tombo é de 69%, mostram dados de um levantamento da Elo, uma das maiores bandeiras de cartões do país.

Saiba os detalhes aqui: https://bit.ly/2JgUt54
 
As primeiras notícias sobre demissões já começam a aparecer. O grupo IMC, que administra as franquias da Pizza Hut, KFC e Frango Assado, mandará embora 2,1 mil funcionários: https://bit.ly/2wvYFvl
 
Ninguém entendeu. O Banco Central revisou ontem sua previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2020, o que já era esperado. O que provocou estranhamento é que, pelos novos cálculos, a economia brasileira não deve crescer mas também não deve cair neste ano em relação a 2019, na contramão das estimativas de bancos e consultorias, que preveem queda.

Segundo economistas ouvidos pelo 6 Minutos, o BC teve cautela, e está esperando o cenário ficar mais claro para fazer uma projeção mais acurada. “A ideia foi indicar uma previsão mais realista do que a última divulgada, de avanço de 2,2%. Mas não quiseram gerar grandes comoções”, analisa José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.
Veja mais: https://bit.ly/33MZwnz
 
Onde a bolsa de NY vai, o Ibovespa vai atrás. Durante a crise que estamos vivendo, a correlação entre o Ibovespa (índice da bolsa brasileira) e o S&P 500 (índice da bolsa de Nova York) subiu de 50 pontos para 90 pontos, a maior desde 2008.

Isso acontece porque desde que o coronavírus se tornou um problema sem precedentes, os mercados financeiros estão apavorados, e o clima de pânico diminui a racionalidade nas bolsas. Em situações de estresse, é normal que o comportamento padrão seja o de manada — quando um mercado vai para cima ou para baixo, todos os outros começam a seguir a mesma direção: https://bit.ly/3bxkFVt
 
Para ajudar pequenos negócios que fecharam as portas na contenção do coronavírus, o 6 Minutos elaborou um guia de sobrevivência financeira.

Para isso, conversamos com o Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com o Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) e com o especialista em recuperação, reestruturação operacional e financeira de empresas, Artur Lopes, sócio da IWER Capital.

Avaliar o potencial do seu negócio funcionar pela internet, manter o contato com a clientela e aprimorar o atendimento a domicílio são algumas das dicas: https://bit.ly/2WLaI2v
Fique de olho
Celesc, Cogna, Eletrobras, Ser Educacional (antes da abertura do mercado) e Restoque (depois do fechamento) divulgam os resultados do quarto trimestre.

Às 8h, a FGV divulga a Sondagem da Indústria em março.

Às 9h, o Banco Central divulga o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) de janeiro.

Às 10h30, o Banco Central divulga os dados do mercado de crédito no país em fevereiro.
 
After market
SUPERAÇÃO – Uma boa pedida para enfrentar esses dias tensos de quarentena é maratonar a série “A Vida e a História de Madam C.J. Walker”, que está na Netflix. A produção conta a história real da primeira milionária negra dos Estados Unidos. Nascida filha de escravos, casou para fugir da pobreza e foi abandonada pelo marido quando seu cabelo começou a cair por causa de alergias. Lavadeira, desenvolveu uma linha de produtos capilares que começou a fazer sucesso e montou um império.
Se interessou? Veja o trailer aqui: https://bit.ly/2WNMZyO

CAPACITAÇÃO EM CASA – Uma dica de cursos que podem ser feitos através da internet para quem está em casa: a USP (Universidade de São Paulo) disponibilizou 8 cursos online gratuitos através da plataforma Coursera, que abordam temas como criação de startups, introdução à ciência da computação e macroeconomia, entre outros.
Aqui vai o link: https://bit.ly/2QRnFEe
 

Não a qualquer custo

Qual o custo para salvar o mundo da pandemia do coronavírus? É uma conta que inclui salvar milhares de vidas dos contaminados mas também de milhões de pessoas que podem perder o emprego e ficar à revelia da própria sorte com a paralisia dos negócios. O valor total ninguém sabe, mas não se pode dizer que governos mundo afora não estão tentando medidas inéditas.

Às vezes avançando demais sobre os direitos dos trabalhadores. Foi o que aconteceu com a medida provisória do governo Bolsonaro que autorizava a suspensão do contrato de trabalho de profissionais por até quatro meses sem direito a salário nem garantia de seguro-desemprego. Alvo de duras críticas da sociedade civil e de políticos, o artigo que previa a exceção no regime trabalhista durou menos de 24 horas e foi revogado pelo presidente. O ministro Paulo Guedes disse que houve um erro de redação. O fato é que se estabeleceu aí um limite para o que pode ser feito. Perdeu o vaivém da MP anticrise do governo? Nós explicamos: https://bit.ly/2WDgnHS
O custo de socorrer a população e os pequenos negócios americanos tampouco significa passar um cheque em branco para as grandes empresas americanas. Foi o que sustentaram senadores democratas que, pelo segundo dia, se recusaram a aprovar o plano de resgate de US$ 1,8 trilhão proposto pelo presidente Donald Trump para estimular a economia diante do choque causado pelo coronavírus. Desse montante, US$ 500 bilhões serão destinados a resgatar grandes empresas em dificuldade. Democratas querem mais exigências e maior transparência na escolha dos beneficiados. Republicanos, por sua vez, acusaram os rivais de transformarem um tema de emergência nacional em disputa partidária. Entenda a disputa: https://bit.ly/3aff7i4

Nos últimos dias, crescem os alertas sobre o custo econômico e humano da suspensão por tempo indeterminado da atividade econômica. O presidente americano, Donald Trump, escreveu no Twitter no domingo à noite uma frase que começa a ser repetida como um mantra em Washington e entre alguns economistas liberais: “Não podemos deixar a cura ser pior do que o próprio problema.” Segundo a imprensa americana, Trump cogita levantar algumas das restrições sobre a economia, incluindo o fechamento de escolas e escritórios, ao fim desta semana, quando terá completado o período inicial de 15 dias de contenção social. Saiba mais: https://bit.ly/3agpcuX
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Apesar da revogação do artigo que tratava da suspensão do contrato de trabalho, a medida provisória do governo prevê alteração em temas importantes da vida do empregado: no caso do trabalho remoto na casa do funcionário, por exemplo, o uso de aplicativos como WhatsApp não deverá ser contabilizado como parte do expediente. As férias, por sua vez, poderão ser antecipadas antes que o chamado período aquisitivo esteja completo. Veja outras alterações previstas na medida: https://bit.ly/2xg3atZ
Se as medidas lançadas pelo Executivo em Brasília e em Washington não foram bem recebidas, o mesmo não se pode dizer das ações igualmente inéditas anunciadas pelos bancos centrais dos dois países. O BC brasileiro, sob o comando de Roberto Campos Neto, lançou medidas em diferentes frentes para ampliar a liquidez no sistema financeiro em R$ 1,2 trilhão e permitir que bancos tenham condições de renegociar a dívida de empresas em dificuldade; já o Fed disse que vai gastar “o que for necessário” para sustentar a economia, o que inclui medidas inéditas para estimular o crédito para pequenas empresas e famílias. O tamanho dos dois programas foi elogiado por analistas. Entenda as medidas do BC: https://bit.ly/2Jc5rZP
O ministro Paulo Guedes disse ontem que o governo vai encaminhar uma nova medida provisória que vai prever a redução da jornada e do salário em até 50%, como havia sido anunciado na semana passada sem tanta contestação. É uma medida mais do que aguardada pelo setor privado. Nas palavras do presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Alfredo Cotait Neto, a contrapartida para aliviar as despesas das empresas é fundamental para que consigam sobreviver. “As empresas não vão conseguir se sustentar por muito tempo. A maioria está desesperada, não sabe se demite, se aguarda, não têm caixa para aguentar muito tempo assim”, disse Cotait. Veja o que mais disse o empresário sobre a crise: https://bit.ly/39eCyH5
Um dos efeitos mais visíveis da tensão das pessoas com a pandemia do coronavírus e o confinamento dentro de casa é a mudança dos hábitos de consumo. Tem gente que compra mais bebida, outras que priorizam alimentos, enquanto muitos elegeram o papel higiênico como a tábua da salvação. Especialistas do setor e estudiosos do comportamento humano respondem que não há motivo para desespero. Saiba mais: https://bit.ly/2xYO4ZX
Os tempos de confinamento trouxeram à tona um sentimento que parecia esquecido, o da ação coletiva. Mas, junto com ela, veio também a censura a quem desrespeita as recomendações para ficar em casa – as hashtags #ficaemcasa e #stayhome passaram a figurar entre as mais utilizadas nas redes sociais, como o Instagram. Nos Estados Unidos, a censura gerou acusações envolvendo os millennials, como são chamadas as pessoas que completam de 24 a 39 anos em 2020 (segundo um dos critérios), e a Geração Z (até 23 anos), sobre quem desrespeita mais o confinamento. A história saiu na Business Insider (em inglês): https://bit.ly/2QVKwyz

O inimigo é um só

As dificuldades do coronavírus estão apenas no início para o Brasil, mas já ficou claro que existe uma crise dentro da crise no avanço da pandemia, com estados e o governo federal em pé de guerra.

De um lado do ringue, os governadores Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, e João Doria, de São Paulo, que vêm criticando a letargia de Jair Bolsonaro no enfrentamento à infecção e tomaram medidas de restrição à circulação de pessoas.

Do outro, o presidente da República, que continua minimizando os riscos de contágio e que editou, na última sexta-feira, um decreto garantindo ao governo federal a competência sobre a definição de serviços essenciais.

Em um cenário de colapso próximo do sistema de saúde e da economia, o que deve acontecer já no mês que vem, o país deveria estar unido contra um inimigo único, e o seu nome é Covid-19.

https://bit.ly/2U6Ig9o
 
Chamado de “lunático” por Bolsonaro, Doria instituiu quarentena em todos os 645 municípios do estado de São Paulo a partir de amanhã, com o fechamento de todos os negócios que não sejam considerados serviços essenciais (saúde pública e privada, abastecimento, transportes públicos, alimentação, segurança, limpeza e bancos e lotéricas).

Saiba mais sobre as restrições: https://bit.ly/2U6hOwK
 
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O impacto da pandemia sobre o modelo de negócios das companhias é tão grande que pode ser permanente. O setor terá que lidar com uma realidade em que as viagens de negócios, que representam mais de 60% dos voos domésticos, perderão parte da importância para as empresas.

Isso acontecerá porque algumas descobrirão que o uso da tecnologia pode substituir com eficácia reuniões pessoais e porque outras temerão novas infecções no futuro, restringindo os voos dos seus funcionários. A avaliação é do sócio da consultoria empresarial Bain & Company e especialista em aviação André Castellini em entrevista ao 6 Minutos.

Confira aqui: https://bit.ly/3dmj1HN
 
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou ontem um pacote de injeção de R$ 55 bilhões na economia para reforçar o caixa das empresas e apoiar trabalhadores em meio à pandemia.

Entre as medidas, a suspensão temporária do pagamento de parcelas de financiamento diretos para grandes empresas (R$ 19 bilhões) e indiretos para empresas menores (R$ 11 bilhões).

O banco ainda determinou a transferência de recursos do Fundo PIS-PASEP para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) no valor de R$ 20 bilhões, o que já havia sido anunciado pelo Ministério da Economia.

Leia mais sobre as medidas: https://bit.ly/2y3ltmB
 
Via Varejo, Magalu ou Lojas Americanas? Qual varejista tem melhores condições de enfrentar a crise que se aprofunda? Analistas ouvidos pelo 6 Minutos acreditam que a queridinha Magalu sai à frente, por dois critérios. O primeiro é a liquidez (o caixa da empresa está fortalecido), e segundo é a atuação digital, que tem sido o grande foco da gestão da varejista.

Já a Lojas Americanas tem deixado suas unidades físicas abertas, e adaptou o portfólio de produtos, transformando suas lojas em mini-mercados. A Via Varejo terá mais dificuldade em fazer esse tipo de adaptação, e não tem um caixa tão fortalecido quanto as outras duas.
Veja mais aqui: https://bit.ly/2WB4UIT
 
Uma pesquisa feita pelo Sebrae mostrou que 83% dos donos de pequenos negócios acreditam que sua empresa sofrerá com os impactos do coronavírus, mostra reportagem do 6 Minutos.

A preocupação vem principalmente do comércio, e incrementar os canais digitais de venda é uma das dicas da entidade, que colocou todo seu time de consultores e seus conteúdos de cursos na internet, de graça.

Leia tudo sobre esse assunto: https://bit.ly/2xew7Gw
 
Você tem conseguido pensar em algo além de coronavírus? Se a resposta é não, você está na companhia de praticamente todo mundo. Desde o começo do mês de março, não param de chegar novas informações a cada instante sobre doença, uma mais preocupante que a outra.

6 Minutos ouviu especialistas que aconselham, em primeiro lugar, a diferenciar pânico de preocupação. Isso pode te ajudar a perceber se está agindo da forma mais consciente ou sob impulso do desespero. Use as notícias para te acalmar, e não para te deixar mais assustado.

Ah, em tempos de excesso de informação, se apegue ao que é oficial e vem dos órgãos internacionais como a OMS: https://bit.ly/2UpfoIu

Parou geral

A ficha parece finalmente ter caído. O governo anunciou uma série de medidas para tentar minimizar os efeitos devastadores do coronavírus sobre a economia. O problema é que o remédio para conter a sangria de empregos traz sacrifícios pesadíssimos para quem ainda tem carteira assinada. É a permissão para que as empresas reduzam a jornada e os salários de seus funcionários em até 50%. A medida, que seria aplicada para evitar demissões, vai derrubar ainda mais o poder de consumo das pessoas em um momento de desaceleração global. Saiba mais sobre o chamado pacote anti-desemprego: http://bit.ly/3b8qEjb

A preocupação com os efeitos do coronavírus sobre a economia é mais que emergencial. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que 25 milhões de empregos podem ser eliminados em todo o mundo por conta da pandemia. No Brasil, as empresas já começam a buscar alternativas para a redução da atividade. A General Motors e a rede de cinemas Kinoplex vão dar férias coletivas para seus funcionários. Já o Cinemark negocia a abertura de um plano de demissão voluntária. Leia: http://bit.ly/2xQv7ZA

Para o presidente da ABRH (associação brasileira de recursos humanos), Paulo Sardinha, mesmo as empresas mais saudáveis devem suspender as contratações. “Hoje, elas não sabem nem onde colocar seus funcionários. Não faz sentido contratar uma pessoa para ficar em home office.” Antes de pensar em demissões, que também custam caro, Sardinha recomenda que as empresas lancem mão de outras medidas, como férias antecipadas, licença não remunerada e jornada parcial de trabalho. Leia mais sobre o novo cenário de RH: http://bit.ly/3baeNku
 
Quem não parou vai parar. Shopping centers, academias e lojas de serviços não-essenciais vão ser obrigados a suspender suas operações para conter a propagação do coronavírus. Em São Paulo, os shoppings terão de fechar suas lojas até segunda-feira. Na cidade de São Paulo, só poderão funcionar estabelecimentos de atividades essenciais, como supermercados, mercearias, restaurantes, padarias, lanchonetes e farmácias.

Prevendo uma quebradeira geral no setor, lojistas de shoppings se preparam para pedir moratória aos donos dos shoppings, além da isenção do aluguel ou cobrança apenas de um valor equivalente ao percentual das vendas. Leia mais: http://bit.ly/3bdN5DP

Por que o comércio está sendo fechado? É que a principal recomendação para conter a disseminação do coronavírus é a restrição do contato entre pessoas. “Essa restrição acarreta impactos profundos na economia, uma vez que parte preponderante da atividade econômica pressupõe que as pessoas se movimentem e se encontrem”, disse o presidente do Itaú-Unibanco, Candido Bracher.

Os supermercados, que parecem ser um dos poucos a lucrar com a crise, estão sofrendo com outro problema: o desabastecimento de produtos como papel higiênico, macarrão e congelados. Para evitar que o problema se agrave, as redes Pão de Açúcar e Extra vão limitar a compra desses itens pelos consumidores. Quem compra mais do que precisa pode deixar o vizinho sem nada. Saiba mais: http://bit.ly/2WpczK4
 
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Na tentativa de estimular a economia, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu cortar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto, para 3,75% ao ano. Infelizmente, o remédio parece ter fraco alcance diante da crise que bateu à porta. Em vez de crescimento, os bancos americanos JPMorgan e Goldman Sachs passaram a prever que a economia brasileira terá uma contração de até 1% neste ano. Oremos: http://bit.ly/3daZAlg
 
Depois de ser criticado por não trazer medidas de ajuda para autônomos, um dos mais prejudicados pela desaceleração econômica, o governo prometeu uma ajuda de R$ 200 para essa parcela da população. Sindicalistas ouvidos pelo 6 Minutos disseram que eles negociam com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, elevar esse valor para perto de meio salário mínimo. “R$ 200 é praticamente uma parcela do Bolsa Família, não repõe poder de consumo”, avalia o ex-diretor do Dieese Clement Ganz Lúcio, que assessora os sindicalistas nas negociações.
 
Já as empresas aéreas, afetadas pela queda da demanda e fechamento de fronteiras, terão mais prazo para reembolsarem clientes por passagens de voos cancelados. O pacote para o setor prevê ainda o adiamento do pagamento devido das tarifas devidas pelo uso de aeroportos e uma negociação com bancos públicos para linhas de crédito.  Leia mais: http://bit.ly/3b8qEjb
 
home office está te enlouquecendo? Trabalhar de casa pode ser muito difícil para quem não tem esse costume. Tudo pode atrapalhar: muito barulho, silêncio demais e até mesmo a falta daquela conversinha no café com os colegas. Se você faz parte desse time de incomodados, a dica é respirar fundo e saber que não está sozinho nessa.

 “É importante lembrar que estamos vivendo um momento coletivo: todo mundo está passando por isso. Pedir ajuda, ver como seu colega está se organizando, conversar com seu chefe, tudo isso ajuda muito”, diz Cleusa Sakamoto, doutora em Psicologia e professora da Fapcom (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação). Veja outras dicas para manter a sanidade em meio ao trabalho remoto: http://bit.ly/3d4vboy
 
Está apavorado com o coronavírus e não quer mais sair de casa? Pois saiba que tem um monte de coisa que você pode fazer no conforto da sua sala. Exemplo: compras no supermercado, farmácia, açougue, ginástica, pagar contas e até mesmo passar por um atendimento médico. Quer saber mais? Leia aqui: http://bit.ly/3ae35Fq
 

O arsenal do governo

Para quem esperava – ou cobrava – a reação do governo ao avanço do coronavírus no Brasil e seus efeitos sobre a economia, a semana começou com um alento. As medidas anunciadas primeiramente pela manhã e, depois, no início da noite, buscam atacar alguns dos pontos mais sensíveis da economia diante da paralisia crescente dos negócios.

As medidas incluem melhores condições para que bancos possam renegociar as dívidas de empresas e consumidores. Os cinco maiores bancos do país concordaram em estender por 60 dias o vencimento de dívidas de quem estiver com o pagamento em dia; o governo adiou em 3 meses o recolhimento do FGTS de funcionários formais e reduziu pela metade a contribuição ao Sistema S; abriu linhas de crédito para pequenas e médias empresas; e antecipou o 13º salário de aposentados para abril e maio. O governo estima que as medidas possuam um impacto fiscal de R$ 147,3 bilhões.

Ainda assim, o plano certamente está longe do ideal. Não oferece amparo aos quase 40 milhões de trabalhadores na informalidade, por exemplo. Há pouca cobertura para pequenas e médias empresas. Mas a comparação com a reação do mundo desenvolvido e de outros emergentes mostra que não há um receituário único e consagrado. As medidas para a crise atual ainda estão sendo testadas e não há bala de prata. O fato é que o governo deu um primeiro passo. Veja o que mais foi anunciado: http://bit.ly/3a7Jk2F
Hoje começa a reunião do Copom para definir a taxa básica de juros, que está em 4,25% ao ano. Pode sair desse encontro uma nova arma do governo para estimular a economia. O anúncio sai, em tese, só amanhã, com expectativas de analistas que vão de uma redução de 0,25 ponto percentual para até 1 ponto a menos. A semana começou ontem com especulações de que o Banco Central poderia seguir o caminho do Fed e antecipar a decisão, o que acabou não acontecendo. Não foi a forma como agiram os bancos centrais de outros dois emergentes, o do Chile e o da Nova Zelândia, que cortaram os juros em reuniões extraordinárias na segunda: http://bit.ly/3d6TbHx
Entre no grupo do 6 Minutos e receba direto no WhatsApp as principais notícias do dia: https://6minutos.com.br/whatsapp
O dólar disparou de vez na abertura da semana, com um salto de 5,16%, para R$ 5,06. Foi a primeira vez que encerrou um dia negociado acima de R$ 5. O impacto para a inflação ainda precisa ser mensurado, mas, para as empresas brasileiras com dívida em moeda estrangeira, o estrago é brutal. Em comparação com o fim do ano passado, quando a cotação estava em R$ 4,01, a dívida deu um salto de R$ 384 bilhões. A notícia fica ainda mais preocupante com a informação de que metade dessas companhias não faz hedge cambial, ou seja, não acerta contratos futuros para se proteger da alta do dólar. Saiba como isso afeta o setor produtivo brasileiro: http://bit.ly/38Xh8Ou
E o Ibovespa voltou a sofrer forte queda ontem, de 13,92%, aproximando-se novamente dos 70 mil pontos. Mais uma vez, as ações das duas companhias aéreas listadas na B3 estiveram entre as maiores perdas do dia. As ações da Azul caíram 36,87% e já acumulam queda de 73,2% neste ano; as da Gol perderam 28,02%, com desvalorização de 78,2% em 2020.

Representantes do setor negociam com o governo um pacote de socorro que pode incluir medidas como a suspensão provisória de tributos, a redução do preço do querosene de aviação e de taxas administrativas e linhas de crédito emergenciais. Não é um caso isolado. Nos Estados Unidos, a indústria do transporte aéreo pede mais de US$ 50 bilhões ao governo, mais de três vezes a ajuda recebida depois dos ataques terroristas do 11 de Setembro. O setor é um dos mais afetados com o coronavírus, por causa da restrição aos voos e a queda abrupta da demanda global. Uma consultoria estimou que muitas companhias podem ter que pedir recuperação judicial até maio se o quadro continuar a se deteriorar: http://bit.ly/38UnZbl

Enquanto isso, Gol, Latam e Azul seguem os passos de companhias estrangeiras e reduzem de forma drástica os voos internacionais e domésticos. As duas primeiras anunciaram diminuição de até 70% de sua capacidade de transportar passageiros, e a última, em ate 50%. A medida já começou a ser colocada em prática e será ampliada de forma gradual nas próximas semanas, na medida em que a demanda não reaja: http://bit.ly/38VYFBC 
Nos últimos dias, viralizaram em diversos países fotos e vídeos de prateleiras de supermercados vazias no espaço dedicado ao papel higiênico. Deu matéria até no The New York Times (em inglês: https://nyti.ms/2x6Buaz). Se você foi ao supermercado no Brasil, talvez tenha se deparado com esse cenário atípico. Mas saiba que existe um padrão de consumo nesse comportamento. É o que revela um levantamento da Nielsen, empresa especializada na análise de consumo, com a FecomercioSP. O aumento da demanda por alimentos não perecíveis e produtos de higiene e limpeza se enquadra no terceiro estágio de avanço da pandemia, em que o número de casos dentro de um país cresce rapidamente. Saiba o que vem por aí: http://bit.ly/2vuMDBO
Se bares e restaurantes estão entre os maiores prejudicados pela pandemia do coronavírus, as empresas de entrega de refeições se aproveitam da escalada no número de pedidos. Mas buscam se adaptar às recomendações médicas: Uber Eats e Rappi passaram a orientar entregadores a deixar a sacola com a refeição na porta ou na portaria de prédio dos clientes, tudo para evitar o contato pessoal e, assim, proteger os dois lados. Saiba mais sobre os negócios em tempos de coronavírus: http://bit.ly/2Wh4wyO

Velocidade máxima

Quanto tempo duram as previsões no mundo da pandemia do coronavírus? E as decisões das autoridades para mitigar os seus efeitos sobre a economia? Cada vez menos, dizem os fatos. O fim de semana foi pródigo em mostrar que projeções ou afirmações sobre o que vai acontecer desmoronam com velocidade assustadora, em questão de dias ou até horas.

O principal exemplo foi dado pelo Fed, o banco central americano, que se reuniu em caráter extraordinário nesta tarde de domingo para cortar a taxa de juros nos Estados Unidos em um ponto percentual, para o intervalo entre zero e 0,25%. Além disso, anunciou que vai comprar US$ 700 bilhões em títulos com o objetivo de injetar liquidez no mercado. Apenas 12 dias antes, quando se reuniu também de forma emergencial para já reduzir os juros, o Fed havia avaliado que o coronavírus representava riscos em evolução para a atividade. Ontem, o tom foi mais assertivo: “Os efeitos do coronavírus vão pesar sobre a economia no curto prazo e representam riscos para as perspectivas.” Leia mais sobre a decisão: http://bit.ly/38Z6FSM 

O que dizer das projeções de crescimento da economia, que, em alguns casos, mal são divulgadas e já ficam defasadas? Ontem o Goldman Sachs revisou de 1,2% para 0,4% a sua estimativa de alta do PIB americano neste ano. Pouco tempo depois, o Fed anunciou o corte excepcional nos juros. Para o banco de investimento, o impacto da pandemia no curto prazo será tão violento que a economia vai encolher 5% no segundo trimestre. Isso, claro, a depender da reação das autoridades: http://bit.ly/33praa2 
As medidas do Fed vão surtir efeito em estabilizar os mercados e amenizar os efeitos do coronavírus sobre a economia? Prematuro e arriscado dizer. Alguns analistas pontuaram que o problema não é monetário, enquanto outros veem a ação do Fed como um sinal importante para mostrar ao mundo que as autoridades estão de prontidão. A reação inicial dos investidores não foi positiva. Os índices futuros do Dow Jones e do S&P 500 abriram com forte queda e bateram no teto de perdas ainda na noite de domingo, o que pode servir como um mau sinal para hoje: http://bit.ly/2vs7aqE

Mas a reação das autoridades não deve parar por aí. Uma reunião de emergência dos líderes do G7, grupo que reúne Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá e Itália, foi convocada para hoje, por teleconferência. A expectativa é a de uma ação coordenada.
Dias depois da Itália, a Espanha e a França determinaram no fim de semana o fechamento de bares, restaurantes e do comércio (exceto farmácias e supermercados), em tentativa de conter o avanço do coronavírus. Os governos dos dois países também determinaram a redução de voos e de viagens de trem e ônibus para o exterior. Outras nações foram além: Dinamarca, Polônia e República Tcheca fecharam suas fronteiras para todos os estrangeiros. Alemanha e Holanda proibiram viagens a partir de países com maior número de infectados. É um fenômeno conhecido como “lockdown”, o bloqueio parcial ou total das fronteiras e da circulação de pessoas. Leia mais sobre esse fenômeno e as restrições mundo afora: http://bit.ly/2vtKlTy

O fechamento de fronteiras é particularmente chocante porque acontece no continente que simbolizou o mundo sem fronteiras, por meio da União Europeia e sua bandeira da livre circulação de pessoas. 

Aqui vale lembrar que a própria União Europeia criticou duramente a decisão unilateral de Donald Trump de banir viagens da Europa para os Estados Unidos por 30 dias, em anúncio na última quarta-feira (dia 11). “Doenças desconhecem fronteiras”, disse a francesa Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, na ocasião. Mais um exemplo de como a rápida propagação do coronavírus está colocando o mundo em contradição.

Os americanos, vale dizer, também começaram a adotar tais medidas que pareciam impensáveis poucos dias atrás: Nova York, Chicago, Los Angeles e outras cidades e estados começaram a impor o fechamento de bares, restaurantes (exceto para entregas) e de parte do comércio. 
Entre no grupo do 6 Minutos e receba direto no WhatsApp as principais notícias do dia: https://6minutos.com.br/whatsapp
No mundo dos negócios não é diferente. Na última sexta, a American Airlines anunciou a suspensão de algumas rotas para a América do Sul, incluindo voos de São Paulo para Los Angeles e Dallas. Pois menos de 48 horas depois, a American, que é uma das maiores companhias aéreas americanas, decidiu suspender todas as rotas para o Brasil, o Chile e a Argentina até no mínimo o início de maio. Isso inclui os voos diários para Miami e Nova York a partir de São Paulo e do Rio. Quem havia comprado poderá remarcar sem cobrança de taxas. Saiba mais sobre a restrição aos voos: http://bit.ly/2U7usui 
No Brasil, já são 200 pessoas contaminadas com o coronavírus, segundo cálculo da noite de domingo. O fim de semana foi de cancelamento de eventos esportivos e culturais e de procura das pessoas por alimentos e produtos de higiene em supermercados, alterando uma rotina que, uma semana atrás, não apresentava novidades. O que não mudou foi o compasso de espera de empresários e investidores pela reação do governo aos efeitos do coronavírus sobre a economia. Uma rara manifestação coube a Carlos da Costa, secretário de Produtividade do Ministério da Economia: “Estamos trabalhando em medidas que garantam o mínimo de impacto sobre nossa produção e emprego”, afirmou. Leia mais sobre o que pensa a equipe econômica sobre o impacto da pandemia: http://bit.ly/3d1w6WK
Uma dúvida que emerge do fim de semana é como ficará a relação do governo com o Congresso depois dos atos populares em diversas capitais neste domingo contra os parlamentares e o STF, que acabaram por contar com a participação e o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Apesar da suspeita de contaminação por coronavírus e da consequente recomendação médica para evitar aglomerações, o presidente cumprimentou diversos manifestantes a favor de seu governo em Brasília, com direito a selfies. Veja como foi a participação de Bolsonaro: http://bit.ly/2vl3pmG
Outra rotina que está sendo alterada com a pandemia é a do trabalho. Cresce o número de empresas que oferecem ao funcionário a flexibilidade para trabalhar em casa a fim de evitar o risco de contaminação ou para tomar conta dos filhos – que ficaram sem aula com o fechamento das escolas. Mas e se o teu chefe não libera o home office? E se você contrair o coronavírus no ambiente de trabalho? O 6 Minutos conversou com advogados trabalhistas para esclarecer o que fazer em cada caso: http://bit.ly/33lk0U0
Para não falar só de coronavírus: aumentam no mercado as opções da chamada conta remunerada, recomendada para quem acaba deixando o dinheiro parado por alguns dias ou até o mês inteiro. Bancos tradicionais costumavam oferecer um rendimento bem abaixo do CDI, que segue a taxa básica de juros. Mas hoje existem alternativas que remuneram o equivalente a 100% do CDI. A questão é que existem “detalhes” que podem custar caro. Saiba como avaliar se a conta vale para você: http://bit.ly/2w9juML