Bem-vindo a 2010

Um retrocesso de uma década. Esse deverá ser o impacto da pandemia de coronavírus sobre a economia brasileira na hipótese mais otimista, ou seja, de que haverá reação da atividade no terceiro trimestre do ano, segundo estudo do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV.

Como mostra reportagem do 6 Minutos, nesse “melhor cenário”, por assim dizer, a média da produção das empresas, o rendimento dos trabalhadores, os investimentos e o comércio exterior voltarão ao mesmo nível de 2010. É como se o país tivesse entrado em uma máquina do tempo, fazendo com que a riqueza acumulada de lá para cá fosse perdida.

Para essa projeção não ser ainda mais sombria (o dado contempla uma hipótese de queda de 6,4% da economia), não pode ocorrer uma segunda onda de infecção, e nem uma nova quarentena.

Olhar o dado do crescimento por si só pode dar uma sensação de distância. Quando decomposta, a queda do PIB é ainda mais dramática. Começando pelo consumo das famílias, que representam 75% de todo o desempenho econômico.

“Esperamos uma retração de 9% desse indicador neste ano. O dado é especialmente ruim porque o consumo era o motor que vinha puxando o nosso crescimento depois da última recessão, em 2015 e 2016”, pondera Luana Miranda, pesquisadora do IBRE.

Neste ano, ao invés de ser motor, o consumo vai ser uma âncora, puxando o PIB para baixo.

Leia mais aqui: https://bit.ly/30XfWdI
 

Conhecido por ser uma espécie de antecipador do PIB, o IBC-Br, Índice de Atividade Econômica do Banco Central, deu uma amostra do efeito negativo da pandemia sobre a atividade: a queda em abril foi de 9,7% na comparação com março, sob impacto da quarentena e do isolamento social.

Apesar do tamanho da queda, o dado veio melhor do que o esperado pelo mercado: https://bit.ly/2BjSjRK
 

O curioso é que, nesse cenário devastador, um fenômeno vem sendo observado pelo Banco Central desde o início da pandemia: exatamente pelo tamanho da crise que estamos atravessando, vem crescendo, e muito, a quantidade de cédulas e moedas em circulação no país.

Dados pesquisados pelo 6 Minutos mostram que nesta semana havia R$ 327,9 bilhões em dinheiro físico no Brasil. Antes do coronavírus começar a fazer estrago por aqui, em 16 de março, esse valor era de R$ 254,1 bilhões.

Uma das razões para isso é o pagamento do auxílio-emergencial de R$ 600 por causa da pandemia. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ajudam a entender esse cenário: 7 em cada 10 beneficiários do programa Bolsa Família não possuem conta bancária, e sacam esses recursos, que foram triplicados por causa do auxílio emergencial.

Além disso, muitas pessoas e empresas vêm sacando recursos dos bancos e preferindo manter dinheiro “embaixo do colchão” como uma reação à incerteza trazida pelo momento atual.

Quer saber mais? Vai lá: https://bit.ly/30ZG8Ej

Sai o vale-transporte, entra o vale-internet. A transformação do home office em política permanente de trabalho vai exigir uma readequação da cesta de benefícios oferecida aos funcionários pelas empresas.

Isso já vem acontecendo. A Soft Trade, por exemplo, oferece um auxílio para pagamento da banda larga doméstica para funcionários que ganham até R$ 3.000. A Loft passou a dar um auxílio de R$ 120 aos colaboradores, independentemente da faixa salarial, para custear os gastos com internet e telefonia.

Além disso, com restaurantes fechados e com as pessoas passando mais tempo em casa, muitas empresas vêm transformando o vale-refeição em vale-alimentação.

Veja mais sobre esse assunto aqui: https://bit.ly/2NaeIn9
 

A chance de um novo corte na taxa de juros básica pelo Banco Central e a alta nos preços do petróleo fizeram a bolsa fechar em alta de 0,6%, na contramão das bolsas americanas. Uma eventual nova redução, por outro lado, determinou nova alta do dólar, que encerrou o dia a R$ 5,37, já que juros baixos tornam o país menos atrativo a investidores estrangeiros: https://bit.ly/2YbUcJ9
 

Em um ambiente de maior concorrência no setor financeiro e do avanço da digitalização, os bancos investiram R$ 8,6 bilhões em tecnologia em 2019, um crescimento de 48% na comparação com o ano retrasado, mostra pesquisa divulgada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Como vem acontecendo nos últimos anos, o mobile banking, que é o uso de bancos através de aplicativos de celular, não para de crescer, e já representa 43,8% das transações: https://bit.ly/311A4vf